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Catar: primeiras eleições legislativas têm participação eleitoral de 63,5%

Os catarianos votaram em 30 dos 45 membros do conselho que aprovará as políticas gerais do estado - mas não terá voz na definição de defesa, segurança ou política econômica.

CatarHomens e mulheres votaram em seções separadas (AP)

Os cidadãos do Catar votaram pela primeira vez nas eleições de sábado para um conselho consultivo, um processo que gerou um debate doméstico sobre inclusão eleitoral e cidadania.

Os catarenses foram às urnas para escolher 30 membros do Conselho Shura, de 45 membros, que redigiu leis, aprovou orçamentos estaduais, debateu questões importantes e aconselhou o governante emir xeque Tamim bin Hamad Al Thani.

O país do Golfo apresentou planos para as eleições legislativas em sua constituição de 2003, mas as autoridades repetidamente adiaram a votação.

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Mesmo que a medida tão adiada pareça ter como objetivo dar aos catarianos mais voz sobre como são governados, o Conselho Shura não tem voz nas questões de defesa, segurança, política econômica e de investimento.

Apesar de 28 mulheres inicialmente terem sido liberadas para concorrer às urnas, os candidatos do sexo masculino foram eleitos em todas as 30 cadeiras, de acordo com a contagem relatada pela mídia local.

A participação nas eleições foi de cerca de 63,5%, disseram as autoridades.

Um novo ‘experimento’

Como outros estados do Golfo Árabe, o Catar proíbe partidos políticos. Os trabalhadores estrangeiros superam os cidadãos do Catar no pequeno mas rico país de 2,8 milhões, quase nove para um.

A Copa do Mundo de 2022 gerou pressão por reformas na nação governada hereditariamente.

O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, no mês passado descreveu a votação como uma nova experiência e disse que não se pode esperar que o Conselho tenha, a partir do primeiro ano, o papel pleno de qualquer parlamento.

A lei eleitoral do Catar criticada

Grupos de direitos humanos criticaram a lei eleitoral do Catar, que diferencia entre cidadãos catarianos natos e naturalizados, e proíbe estes últimos de participação eleitoral.

O sistema exclui milhares de concorrer ou votar, o que desencadeou protestos tribais menores que levaram a várias prisões.

Em um relatório no mês passado, o grupo internacional de direitos humanos Human Rights Watch descreveu o sistema como discriminatório.